oS ANIMAIS SIGNIFICAM:

domingo, 27 de março de 2011

Caça



Antigamente, a caça era usada como forma de sobrevivência, porém, hoje em dia, é usada como desporto ou hobby.
Esta caça desportiva não visa essencialmente a obtenção de alimentos mas sim a conservação de tradições, a emoção da perseguição e/ou abate.
Esta actividade tem contribuindo para a extinção de muitas espécies animais em todo o mundo e, por isso, foram criadas normas reguladoras de caça. Essas mesmas normas só permitem esta actividade em determinados locais, para determinadas espécies, em determinados períodos e em quantidade limitada. Em alguns países existe mesmo a proibição total da caça.
Ao invés, a actividade enriquece muitas empresas e associações de caça desportiva. Só em Portugal, existem duzentas e setenta mil licenças e um número não contabilizado de caçadores ilegais.
Como forma de atrair caçadores, no norte da América, são várias as agencias que estão a implementar programas. Estes são conhecidos como programas de “controlo ou preservação da vida selvagem” que consistem em aumentar o número de espécies de caça para que existam muitas á disposição dos caçadores e com isto mais lucros da venda de licenças de caça.
Para além disto, passou a ser utilizado veneno para deter o aumento dos animais considerados predadores, com a desculpa de que é necessário existir um programa de controlo sobre esses mesmos animais. Este método está a contribuir para a morte de diversas espécies de animais, como é o caso dos abutres em Portugal.
Um outro problema é o abandono de cães no fim da época de caça, que normalmente são deixados nos montes sem controlo nem recolha.
Caso não exista qualquer tipo de intervenção, o equilíbrio dos ecossistemas mantém-se, garantindo assim a sobrevivência da maioria das espécies. Os predadores ajudam a manter este equilíbrio pois matam apenas os animais mais doentes ou fracos.
Contudo, a caça gera diversos impactos sobre o meio ambiente, tais como contaminação acústica – o disparo de uma bala produz um nível de ruído superior aos limites máximos permitidos pela Organização Mundial de Saúde –  , contaminação dos solos – os cartuchos, e outros acessórios de caça são lixo que é deixado pelos caçadores na zona de caça e o chumbo é também um metal extremamente poluente e que em grandes quantidades pode envenenar a fauna – , a abertura de estradas e trilhos florestais – com a pratica de caça foram abertos novos acessos á população e consequentemente a reclusão da vida natural em pontos mais inacessíveis.  
Contudo, a caça não é apenas um problema para o equilíbrio da natureza. Por exemplo, nos Estados Unidos, acredita-se que a transferência de veados e patos criados em zonas de caça contribuiu para o alastramento epidémico da Doença do Desgaste Crónico (CWD). Este tipo de doença é fatal e foi relaccionada com a doença das vacas loucas e o abate deste tipo de animais continua a ser praticado.
Um outro risco é a ingestão da carne do animal caçado que pode transmitir parasitas. Quando os animais caçados apresentam mau aspecto, os caçadores deitam-nos fora ou dão-nos de comer aos cães de caça, o que acaba por ser também perigoso visto que o ciclo de transmissão de parasitas é reiniciado.
Alem disto, existe também o negócio de espécies cinegéticas para caça que tem aumentado drasticamente. Nos Estados Unidos existem aproximadamente duas mil reservas de caça e no Reino Unido cerca de trinta e cinco milhões de aves são criadas em recintos onde são engordados, para mais tarde serem abatidos por caçadores. Estes chegam a pagar entre trezentos a dois mil euros por dia para esse abate.

Lídia Pinto

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